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terça-feira, 18 de novembro de 2014

NOITES QUENTES, CORAÇÃO GELADO.




Não tem jeito, quando o calor chega por aqui, não há como evitar. E olhem que este ano até que demorou! Não sei se é efeito da idade mas tenho gostado demais de ficar em casa, antes uma saída às compras ou mesmo ir até a cidade para resolver alguma coisa era um bom pretexto para sair da rotina, comer algo diferente, sei lá, mas agora isso tem me aborrecido terrivelmente. A mesma coisa se dá com os eventos de quadrinhos, antes queria fazer parte do meio, mesmo me sentindo um corpo estranho, agora tenho evitado o quanto posso.
Esta semana tive que ir ao Shopping Guararapes, que é o mais próximo aqui de casa, e só na viagem de ida dá pra contar uns casos. As pessoas no ônibus parecem gastas, sempre gordas, acho que tem gordura até no cérebro, sempre suando em bicas. Falam alto aos celulares - principalmente as mulheres - eu estou gordo, mas não falo no celular, sequer tenho um. O que tenho deixo com a Vera, que fala constantemente com a mãe dela. Olho as pessoas, sempre estressadas, correndo para lugar algum, mas sempre numa mesma direção: o fim inevitável.


Geralmente tenho que sair à rua para descascar algum abacaxi; outro dia tive que ir ao Atacadão trocar uma carne (e olha que era Friboi!). Assim que Verônica abriu a embalagem um forte cheiro de carne estragada invadiu nosso apartamento e parecia não querer sair nem com as janelas todas abertas. Não acho que o mercado esteja comercializando carne estragada porque quer, acho que algum cliente desistiu da compra e o produto deve ter ficado fora da refrigeração tempo suficiente para deteriorar antes que fosse colocado de volta na geladeira e demos azar de pegar exatamente aquela.
Como sempre a burocracia para efetuar a troca foi algo surreal, tivesse eu a paciência de outrora transformaria isto numa hq. Primeiro fui até uma senhora que fica na entrada embalando as bolsas. Ela me deu um papel rubricado para eu levar ao gerente do setor. O gerente do setor perguntou qual o problema com o produto, de forma educada eu o convidei a cheirar a carne, ele recusou. Me deu um papel lá com a assinatura dele e me pediu para voltar até à mulher que ficava na entrada. Voltei. Ela pegou uma ficha e começou a preencher meus dados pessoais. A todo instante ela tinha que interromper para embalar a sacola ou bolsa de alguém. Depois de muitas perguntas (só faltou ela querer saber que número eu calçava) assinei a ficha e me dirigi ao Atendimento ao Cliente. Um cara carimbou o papel e foi procurar a funcionária responsável para assinar a folha e a minha nota de compra. Aonde a bendita menina estava, ninguém sabia. Até que apareceu esbaforida. Rubricou e fui procurar outro produto e ao passar pelo caixa ela precisava dar mais uma rabiscada como sinal verde para concluir o processo. Feito, paguei a diferença e finalmente pude sair.
Do mercado até o ponto dava para ver vários ônibus que me serviam, passando ininterruptamente, foi eu chegar e eles sumiram. Típico. Depois de vários minutos peguei um cheio, esvaziou no caminho. Finalmente em casa. Desci com o lixo. Tomei um banho, jantei, escovei os dentes e me sentei à prancheta. Que mais posso fazer além de brincar de ser desenhista?


PS 1 - Estes são desenhos para um livro infantil.
PS 2 - Não fiz revisão, então me perdoem algum erro.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

NUMA E A NINFA ( CENA 7 )

Atualmente me sinto como um cara numa balsa, sem os remos, em um rio proceloso. Não tenho como me direcionar, então nada me resta a não ser esperar que as corredeiras me levem a um destino menos cinzento. Estou sendo dramático? Não sei, talvez. Entreguei um livro esta semana, quando vão me pagar, não sei. Antes era cumprir o prazo, assinar contrato e receber na data prevista, hoje a burocracia subverteu tudo, parece até que o faxineiro da empresa precisa dar o seu aval para que as artes sejam aprovadas. Não adianta reclamar, se quiser trabalhar, faça o que lhe pedem e aguarde sem reclamar, pois podem te chutar e por um outro qualquer no seu lugar por um preço bem menor - aliás, já aconteceu com a linha dos infantis, percebi que qualidade não é levado em conta.

Me prometeram um outro tomo da coleção, acho que será O Mulato, do Aloísio de Azevedo. Mas quando virá, não dá pra saber.

Semana passada participei de um encontro de desenhistas em Olinda. Proposta interessante a de cada um desenvolver uma hq nos três dias do evento, algo meio de improviso. Foi legal o papo entre pessoas que no meio de toda a confusão em que vive este país ainda encontra tempo e inspiração para criar uma história em quadrinhos envolvendo nossa realidade com um pé bem fincado na fantasia. Na real eu estava pouco inspirado, minha linha de produção envolve estudo e concentração, solidão e calma, mas ainda assim fiz uma página e meia ( tá certo dizer "uma página e meia"?), não fui os outros dois dias, não consegui.
Não posso dizer que me senti um velho, mas só tinha gente nova lá, o cara mais velho depois de mim, tinha 45 anos, eu, em dezembro, completo 52. O Thony Silas, um jovem e simpático rapaz que produz para a DC Comics, consegue a proeza de esboçar diversas páginas de uma hq em uma tarde. Os traços dele parecem de uma espontaneidade sobrenatural! Bem, cada artista (ou arteiro) com seu método.

Depois de quase um mês parado, ontem voltei a trabalhar na biografia do Poe, e assim ela se arrasta.

Fiquem bem e com mais uma imagem de Numa e a Ninfa.




segunda-feira, 10 de novembro de 2014

LUCIANO FÉLIX, UM GRANDE ARTISTA.


Conheço o Luciano a muitos anos; desde que cheguei a estas terras quentes sou gentilmente convidado para os eventos de hqs (antes rolavam bem mais) e lá está ele, sempre um tanto reservado, mas receptivo e vez por outra com uma tirada bem humorada, o que é natural, pois suas influências no desenho, segundo ele mesmo, são Sérgio Aragonés, Mort Drucker e outros da revista Mad. Aliás, ele mesmo foi colaborador da edição nacional da Mad por muito tempo. Um artista premiado que com certeza ainda ouviremos falar muito.

Além do talento para ilustrar e pintar, uma qualidade que muito me chama a atenção é sua humildade, a arte só ganha com isso. Na boa, o mundo está recheado de soberbos e arrogantes e o meio dos quadrinhos é infestado deles.

A arte que ilustra esta postagem foi criada por ele, nela vemos alguns dos heróis do quadrinho nacional e fiquei lisonjeado por Zé Gatão ter sido lembrado. Apoiada no ombro do felino vemos a Velta, do grande (literalmente) Emir Ribeiro. Bem no centro destaca-se o Batmorcego, criação do próprio Luciano.


Ele está com um novo álbum na praça, "Wander, Herói Porque Sim!". Cheguei a divulgar por aqui, lembram?

Dei uma folheada e cheirada no livro e está com um acabamento primoroso. Infelizmente não tenho detalhes de como ele pode ser adquirido, mas é só acessar a página dele no Facebook e pedir informações ao próprio. Vale demais a pena.


terça-feira, 4 de novembro de 2014

O GOLEM



Semanas atrás eu divulguei aqui o curta metragem do Cláudio Ellovitch, o PRAY, lembram? Bem, o referido filme foi o vencedor do festival em Londres ( http://entrementes.com.br/2014/10/curta-brasileiro-de-terror-pray-ganha-festival-internacional/?fb_action_ids=589505451155120&fb_action_types=og.likes ). Parabéns a ele, mais que merecido. Como ele mesmo ressaltou em sua página no Facebook, conseguiu mais oportunidades e apoio em outros países do que em sua própria terra.


Ele me procurou tempos atrás e me convidou juntamente com o ciberpajé, Edgar Franco, para juntos trabalharmos no álbum em quadrinhos "O GOLEM", baseado na obra de Gustave Meyrink. Ele inscreveu o projeto no Proac deste ano mas não fomos aprovados. Pena. Talvez não fosse pra acontecer mas eu fiquei desapontado, contava com este trabalho para, após o encerramento do Poe, dar continuidade com os quadrinhos, pois se não estiver atado a um compromisso não sei se farei novas hqs. Quem sabe? O Golem seria tremendamente desafiador. Bem , por outro lado não sei se teria energias para dar conta do trampo, cumprir o prazo e essas coisas. O Cláudio já afirmou que não vai abandonar a empreitada e pretende ir atrás de algum outro patrocínio no devido tempo.
Bem, veremos o que nos aguarda no futuro.


Esses foram os estudos de personagens que fiz para podermos nos inscrever no Proac, são arcabouços, ainda teríamos que definir melhor o estilo a ser adotado na hq, buscaríamos algo mais perturbador no traço.


Esta semana não sei se conseguirei voltar aqui para falar com vocês, tá tudo muito corrido.


Até a próxima.




sexta-feira, 31 de outubro de 2014

NESTABLO RAMOS CHEGANDO COM ZONA ZEN!



Bom dia, caríssimos e caríssimas!

Meu amigo, o grande artista e gente fina Nestablo Ramos, está com mais um projeto em andamento, depois do ZOO 1 e 2, P.E.T., Carcereiros, Natureza Humana, Bíblia em Quadrinhos (Adão e Eva) e muitos outros, chega a vez de Zona Zen, uma série muito divertida que tive o prazer de ler quando ele postava as páginas semanais no seu blog. Mas as aventuras do personagem e sua turma só chegarão ao público em forma de livro se tiver apoio. Sim, mais um crowndfunding.

O próprio Nestablo defende seu produto nesta página:

http://www.kickante.com.br/campanhas/almanaque-zona-zen

Dá uma chegada lá, assista o vídeo (não custa nada) e saiba mais sobre o álbum e suas recompensas.

Já falei sobre este fenomenal artista aqui neste blog outras vezes e nunca é demais repetir: pra mim ele é um dos dois melhores quadrinistas brasileiros da atualidade, o outro é o Allan Alex. Só temos a ganhar com mais um material dele na praça. Do jeito que anda nosso país (muito mais agora) precisamos de arte e bom humor.

Vamos dar uma força para o Zen finalmente ganhar o seu álbum?


Um excelente fim de semana a todos

terça-feira, 28 de outubro de 2014

VOLTANDO ATRÁS.





Já escrevi sobre meu álbum intitulado Phobos e Deimos aqui no blog, se quiserem ler um pouco a respeito dele e ver umas imagens é só dar uma conferida no link:  http://eduardoschloesser.blogspot.com.br/2010/06/phobos-e-deimos.html  

Assim como os outros álbuns que criei, este também é a manifestação das minhas insatisfações, é fúria pura. Amargo e desesperançoso, reflete bem o que eu sentia no período que o criei. Visualmente não tem nada a ver como o universo antropomorfo de Zé Gatão.

Ficou guardado na minha gaveta por quase 10 anos e ao longo deste tempo mostrei fragmentos dele para algumas editoras e sequer recebi retorno, a HQM se interessou e ficou de publicar, mas depois de mais de um ano de indecisão resolveram desistir. Normal, a situação não está boa pra ninguém e não convém se arriscar a por na praça um livro, digamos, "duvidoso". E por falar em situação ruim acho que vai piorar mais daqui pra frente.

Chega no cenário uma nova editora, chama-se MINO, pelo pouco que vi dela no Facebook parece que vão lançar uns materiais nacionais muito expressivos, coisa boa mesmo! 
Entrei em contato. Pediram pra eu enviar imagens do livro para dar uma analizada. Ok.
Selecionei 10 páginas de cada história, escrevi minha defesa do projeto e enquanto as imagens carregavam no e-mail, aproveitei para ler uma entrevista que fizeram com os editores. Caso queiram ler também o link é este: 

http://www.oesquema.com.br/vitralizado/2014/10/17/editora-mino-e-o-festival-de-bandas-punk-que-e-o-mercado-brasileiro-de-quadrinhos/

Legal demais a ideia de pegar autores ainda sem os "ranços" profissionais, entendi que é meio que exibir um diamante ainda em estado bruto, gosto dessa ousadia, a falta de refinamento muitas vezes trás o que o artista tem de autêntico. 

Seguindo na leitura, num determinado ponto, algo inesplicável me bateu, não sei dizer o que era. Imediatamente interrompi o carregamento das imagens e joguei na lixeira a mensagem que tinha escrito. Desisti de enviar o Material pra Mino. Sei lá, não é pra mim, não faço parte disso, não poderia. Não saberia explicar mas Phobos e Deimos não seria aceito. 
Estive já em muitos festivais de quadrinhos e em todos eles me senti um corpo estranho, eu não pertencia àquele meio, mesmo produzindo hqs, tive a mesma sensação ao ler a entrevista com a editora.   

No fundo, sinto que Phobos é algo que eu mesmo deva fazer, como o meu primeiro Zé Gatão. Sei que algumas imagens soarão agressivas aos olhos incautos, principalmente as de sexo. Ainda há muita resistencia a certos temas e uma editora não se arriscaria, assim como fez a HQM (e olhem que o editor da HQM é meu chapa!). 

Quando vendo meu primeiro Ze Gatão hoje, eu aviso ao comprador o que ele vai encontrar na obra. Creio que eu tenha que fazer o mesmo com Phobos e Deimos. Como colocarei na praça? Não sei. O ideal seria eu mesmo pagar uma tiragem baixa, mas não disponho de recursos, por mais que as condições para auto-publicação sejam acessíveis hoje em dia. Financiamento coletivo? É uma opção, mas só usaria como último recurso. Veremos. Espero que eu não leve outros 10 anos para retirar essas velhas e já amareladas histórias da gaveta.

As artes de hoje foram feitas para um livro infantil.

Aperto de mãos para os amados e um cheiro gostoso para as amadas. 



quinta-feira, 23 de outubro de 2014

ZÉ GATÃO: DIES IRAE.


Ah, pelo caminhar da carruagem tão cedo não volto aos meus quadrinhos pessoais. Realmente não dá, não é só exatamente uma questão de tempo, mas de paz de espírito e momentos de contemplação para elaborar a coisa como gosto. Não se esqueçam que tenho um álbum prontinho (PHOBOS E DEIMOS) já vai fazer uma década e ainda não tenho a menor ideia de quando isto virá a público, ele ficou quase um ano na HQM sendo cozido e no final acharam que era arriscado demais para a editora. Pena, pra mim este livro embolorou faz tempo, mas ainda gostaria muito de trabalhar em um novo material nos mesmos moldes, histórias que se cruzam, relacionamentos mal resolvidos, sonhos desfeitos, ação, violência e todas as coisas que se tornaram marcas do meu trabalho. Tenho a coisa toda na mente, mas precisaria me concentrar e colocar no papel. Mas primeiro preciso acabar a bio do Poe, dar continuidade ao NCT (que está parado), isto sem contar que preciso desesperadamente de uma linha de serviço que me dê certa tranquilidade financeira, do contrário estrei sempre com a cabeça neste caos. No passado estes vendavais foram forças motrizes para que muitas das minhas hqs ganhassem vida, hoje, com as responsabilidades como chefe de família não é mais possível. As energias se esgotam com o avanço da idade.

Tudo isto, sem contar com o Zé Gatão, tenho uma hq nova dele que está incompleta. Bateu uma vontade doida o ano passado e comecei a trabalhar, depois de umas 10 páginas precisei interromper e nunca mais pude pegar de volta, esta eu terei que concluir, mas para publicar aonde? Não podemos nos esquecer que ZÉ GATÃO- DAQUI PARA A ETERNIDADE ainda está esperando ser lançado pela Devir.
Ainda tenho dois projetos com este felino, mas sinceramente não sei se será possível corporifica-los. Talvez sim, talvez não. Enquanto isto, fiquemos com cenas como esta, que poderiam ter feito parte de uma bela e horripilante história.


Nos vemos semana que vem, se Deus quiser.