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quinta-feira, 18 de setembro de 2014

NUMA E A NINFA ( CENA 4 )



Mais uma cena para o livro do Lima Barreto. O tema do referido tomo é ainda muito atual. A editora Construir teve uma ótima ideia ao colocar na praça de novo esses clássicos (ainda por cima ilustrados), afinal muitos deles estão fora de catálogo, como O Auto De São Lourenço do Padre Anchieta. Pena que o sistema de distribuição deles limite o acesso àqueles que apreciam meus desenhos. A editora tem mais sete livros para fechar comigo, segundo eles. Contudo já vai pelo segundo mês que não enviam mais nada. E eram esses livros que pagavam minhas contas. Meus telefonemas são inócuos, as respostas em justificar o atraso são evasivas demais. Bem, como não é possível ficar esperando, continuo batendo em outras portas. Veremos qual abre primeiro.

Acabo de ler a biografia do mestre do terror moderno Stephen King da autoria de Lisa Rogak. Uma história de vida fascinante, um livro agradável de ler e que não se larga facilmente, mas disponho de pouco tempo para leitura, por isto até que demorei bastante.

Atualmente estou assistindo a série Arrow, baseada no personagem da DC Comics, o Arqueiro Verde. Tem todos os clichezinhos do gênero, herói másculo e bonitão com uma missão redentora, incompreendido, com a lei em seus calcanhares, mocinha frágil apenas na aparência, família do herói problemática, o melhor amigo mala, o parceiro/braço direito questionador e por aí vai. Em suma, é uma bosta....mas eu não consigo parar de ver. O que mostra que a fórmula ainda funciona. Esta é uma história requentada desde os pulps e seriados antigos da tv americana mas que ainda hoje é eficaz em te prender na poltrona, a diferença dos filmes de outrora é que agora tudo é mais frenético, muito bem feito. Embora as atuações sejam pífias por parte dos atores iniciantes a fotografia é belíssima. É esquecível mas eu estou gostando. Para eu curtir mais só queria ver um pouco o Oliver Queen dos quadrinhos que me encantaram nos anos 70, caracterizar mais o Arqueiro Verde, não falo de máscara e traje, mas a personalidade. Será que quando ele ficar mais velho estará mais fiel aos gibis? Não creio, mas por hora sigo me divertindo e passando uns 50 minutos um pouco fora da minha realidade.

No final da noite eu e a Vera estamos quase finalizando a segunda temporada de Under The Dome, baseada no Livro do King.

Baixei Os Mercenários 3 para assistir e me diverti pra cacete.

Nos quadrinhos sigo lendo Juíz Dredd e algum material antigo.

Sem mais nada pra dizer, deixem-me voltar ao quadrinho do Poe.
Tenham todos um nice weekend.

PS - Estou digitando rápido e pode ter me escapado algo na revisão, qualquer deslize no texto, perdoem.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

DESEJO.


Deixo Bob Dylan cantar enquanto escrevo este breve texto, acho que combina um pouco com a atmosfera do momento. Minha mãe, a muitos e muitos quilômetros de distância se submete a mais uma cirurgia. As portas de trabalhos continuam fechadas. Este mês minha família pagou parte das minhas contas. Pensei, inclusive, em vender originais num destes e-bays da vida mas não sei bem como proceder, além de notar que os valores por originais nesses lugares são muito baixos, não sei se valeria a pena. Será que terei criar minhas artes apenas aos domingos e arrumar emprego numa loja? Com mais de 50 anos? Assim me sinto como o velho Dylan brada neste exato momento com sua voz fanhosa: no direction home, like a rolling stone.

Malgrado todas essas coisas, tenho trabalhado bastante. A bio do Poe ainda segue lenta pela técnica complicada e cansativa, mas vai avançando, como se avança numa selva de vegetação impenetrável, a ponta do lápis no branco do papel como golpes de facão abrindo caminhos entre galhos, folhas e cipós.
Fiz também vários estudos para trabalhos em parcerias, mas esses ainda dependem de aprovações, e se derem sinal verde aguardar a liberação de verba.

Esta semana recebi ligação de um dos membros da P.A.D.A. me propondo uma nova edição (ampliada) daquele Zé Gatão que eles lançaram em 2011 e que hoje se encontra esgotado. Uma das hqs sairia colorida desta vez e com adição de outras que ficaram de fora. A publicação seria pelo sistema de crowdfunding. A parte de arrecadação e divulgação ficaria a cargo deles e eu produziria os bônus para os contribuintes. Tenho minhas reservas em relação a publicar material desta forma, mas pensando bem o que tenho a perder? Mas a coisa ainda está no estágio embrionário, deve demorar um pouco até que tome forma.

Zé Gatão - Daqui Para A Eternidade, a sair pela Devir, continua sem notícias. A verdade é que este país está parado, não cresce - e nem pode - com petralhas no poder (ops, boquinha fechada!).

A ótima receptividade que a ilustração "Zé Gatão - Melancolia 1" recebeu no Facebook, com elogios, likes, compartilhamentos e até análises feitas por entendedores do assunto, reacendeu o desejo de trabalhar o universo antropomorfo do felino taciturno com novos quadrinhos, mas por hora, devo ficar na vontade. Tenho mesmo é que terminar o que já está em minhas mãos, o que me lembra que o projeto NCT ainda está pela metade. Mas nada impede de rabiscar cenas como esta que fiz para este post. Não planejei, ele foi saindo. Tenho insistido em tubarões, acho que uma hora terei que criar algo com este bicho nem que seja um conto.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

PRAY - Short Film

Queridos e queridas, este vosso pobre arremedo de desenhista hoje está com o corpo quebrado. Ontem pela manhã fui acometido de uma sucessão de espirros que quase me deixaram louco, a garganta ardia sofregamente e passei a quinta-feira com uma coriza invencível, molhei metros e metros de papel toalha. Uma dor de cabeça forte tornou a tarde bastante desagradável. Não sabia se era uma rinite alérgica ou o despertar de uma gripe forte, os sintomas da renite são muito parecidos com o da gripe (pelo menos para mim, não sei quanto aos outros). Ainda assim consegui trabalhar, finalizando mais uma página da biografia do Edgar Allan Poe.
No fim do dia me dei por vencido e tomei umas medicações. Hoje não sinto mais os mesmos sintomas, creio mesmo que é um resfriado forte a julgar pela cabeça pesada e o corpo com esta sensação de que recebeu pauladas a noite inteira. Mas a vida segue.

Agora vamos ao que interessa:

Ah! O viver de arte no Brasil!
Dá mesmo pra viver de arte no Brasil ou em qualquer país da América Latina?
Os argentinos que tem uma tradição nos quadrinhos muito mais forte que no Brasil no passado se debandaram quase todos para a Espanha ou EUA para viver do seu ofício; de resto, como os hermanos se viram hoje eu nem sei e já passou o tempo de me importar. Eles, assim como nós, parece que escolhem muito mal os seus governantes. Mas estou divagando e prometi a mim mesmo não tornar aqui um espaço para debate político ou religioso (estas coisas só geram polêmicas inúteis), o objetivo deste post é para falar do curta metragem "PRAY".
Cláudio Ellovitch, o diretor do filme, é um jovem muito culto e talentoso (temos um projeto em quadrinhos juntos, que se aprovado, vai dar o que falar, mas é assunto pra outra hora).
O curta em questão me impressionou fortemente, é puro delírio, a direção, a fotografia, os efeitos visuais e a música se combinam num misto de pesadelo e poesia baudelairiana.
Ele está concorrendo ao WIEWSTER ONLINE FILM FESTIVAL.

Para que ele vá para a segunda fase com o juri de especialistas ele precisa ser bem votado.

Para assistir ao curta (que não é para menores) acesse este link: http://www.viewster.com/movie/1272-18097-000/pray/

Depois do primeiro minuto de filme abre a opção de votar"like", vote e você ainda concorre a uma viagem (para duas pessoas) para Londres.

Segundo Ellovitch, "Pray" está diretamente ligada ao álbum em quadrinhos que ele realizou em parceria com o mestre veterano Rodoufo Zalla, chamado "THTRU", de quem pego emprestada a imagem da postagem de hoje.


C´mon, boys and girls, vamos dar uma ssistida no curta, viajar um pouco com algumas cenas oníricas de horror, votar e, quem sabe, ir para Londres. Não custa nada; algum sucesso com arte no Brasil depende muito de boa vontade do público, concordam?

Bom fim de semana a todos.


terça-feira, 9 de setembro de 2014

ZÉ GATÃO - MELANCOLIA 1



Desde sábado de manhã acontece aqui algo inédito nesta época do ano: chuvas incessantes e um forte vento frio que do nada, invade a casa entrando pelas janelas e frestas das portas, assoviando lutuosamente. Gosto. Combina com meu atual estado de espírito e com as páginas da hq do Poe que vão ganhando vida mui lentamente.

Nenhum trabalho com remuneração a curto/médio prazo ainda.

Ao acordar hoje, pensei: tenho que escrever alguma coisa no blog para mante-lo atualizado, mas o quê? Ando meio vazio esses tempos, confesso.

A poucos dias peguei uma folha velha, lancei mão de um carvão e cometi este desenho motivado pela ausência de alegria. Saiu esta imagem que, acredito, fale por mim.


sexta-feira, 5 de setembro de 2014

NUMA E A NINFA ( CENA 3 )

Sento-me rapidamente à prancheta para deixar mais uma cena deste clássico com vocês e volto aos afazeres domésticos. Sim, hoje dificilmente conseguirei desenhar alguma coisa. Ontem a Vera foi afastar uma cama para arrumar o quarto e teve um desvio de coluna; coitada, está assim, um tanto enviesada, bem, um tantão, pra falar a verdade. Já aconteceu antes e demora até ela estar plena para fazer as coisas que ela sempre faz e só ela sabe fazer. Desta feita, desde ontem tenho assumido as tarefas da casa: varrer, lavar louça (antes eu só enxugava), ajudar no almoço, lavar o banheiro e essas coisas que a gente só sabe que é um saco quanto tem que fazer todos os dias. As mulheres deviam ganhar um alto salário por manter tudo na mais perfeita ordem. E olhem que hoje já fui à rua fazer compras duas vezes (mas isso normalmente sou eu quem faço na maioria das vezes). E ela é do tipo teimosa, mesmo doente não para de maneira alguma, e do jeito que é discreta, não vai gostar de saber que falei sobre ela aqui. Fica sendo um segredo nosso, ok?

O calor voltou, enfim, agora é só quentura daqui pra frente.

A luta continua. Espero em Deus ter boas notícias semana que vem.
Bom descanso a todos.




terça-feira, 2 de setembro de 2014

DAS CINZAS ÀS CINZAS, DO PÓ AO PÓ.

Sábado, pouco antes do almoço:
"Eduardo, Maínha disse que empresta o dinheiro para pagar a internet, você não quer liquidar logo isto antes que cortem?" perguntou a Vera, logo no melhor momento do meu trabalho. Fiquei incrivelmente irritado mas como sempre, engoli. Ela tinha razão, pra variar, se havia uma chance de matar logo isso pra que esperar até segunda?  Lá fora o sol ardia com toda a sua fúria, a lotérica fecharia em poucos minutos. Pus um boné e óculos escuros e alcancei a rua me perguntando porque não tiveram a ideia mais cedo. Em pouco tempo eu chegava à casa da minha sogra. Agradeci o favor e célere fui ao comércio. Fila quilométrica. Final de mês é sempre assim. O Porto de Suape inchou este bairro, os caixas eletrônicos, mercados e padarias ficam cheios dos funcionários do lugar. Os aluguéis aumentaram demasiadamente mas as ruas continuam sem asfalto. Depois de paga a conta fui comprar algumas coisas no Hiper. Passei mais de 50 minutos na fila, de lá fui até a padaria ver se tinha um item que estava em falta no mercado.

Embora esteja sem nenhum dinheiro e sem a menor perspectiva de ganhar algum a curto prazo tenho trabalhado como louco, aproveitando para por em dia quadrinhos atrasados, material que sei que depois de publicado me darão mais fama e prestígio do que retorno financeiro. Chegando aos 52 anos fica um pouco difícil fazer qualquer outra coisa da vida (embora nunca seja tarde, tenho pensado nisto, embora não saiba para que mais eu sirva). Sempre me pergunto como alguns conseguem se dar bem neste negócio. Nestas horas minha mente não consegue se livrar de pensamentos sombrios. Sentindo o ardor do sol na pele eu matutava olhando para o chão: é somente a misericórdia de Deus que impede que meu coração pare agora e eu desabe no chão e fique caído na areia quente. Prossegui na divagação: quanto tempo até que alguém percebesse que eu não era mais um merda de um bebum caído na sarjeta, mas que estava morto? Não portava documentos, então.... a Vera notaria a minha demora e sairia à minha procura, talvez fizesse aquele caminho, talvez outro. O problema de estar morto é que você não pode cuidar do seu enterro por si próprio, tem que dar trabalho aos outros. O que é este corpo? Nada demais, é capaz de grandes feitos, de muito amor mas também é o agente de ódio e destruição, é algo que pouco tempo após perder os sinais vitais precisam se livrar dele o mais rápido possível. Alguns são enterrados com toda a pompa, com milhares pranteando e outros se possível fosse se enterrariam sozinhos. Lembro de uma história do Ray Bradbury em que um cientista maluco criava um caixão automatizado que fazia todo o trabalho dos coveiros, recolhia o corpo, rodava até o cemitério e lá abria a cova e se enterrava sem o auxílio de ninguém. Uma grande invenção, se fosse possível.

Soube agora de manhã que o Jimmi Jamison, vocalista do Survivor morreu de um ataque cardíaco aos 63 anos. Lamentei. Boa voz, capaz de muito alcance. O Survivor era aquela banda oitentista, subestimada, que todos conheciam por causa do Sylvester Stallone nos filmes do Rocky. Eu costumava brincar com meu irmão comentando o sumiço do Survivor, dizia que estavam esperando o Sly fazer outro filme. Mas a verdade é que eram excelentes músicos com vários hits além dos temas de filmes; para constatar confiram o álbum Vital Signs.
O curioso é que o Jimmi não era o vocalista original que cantou o Eye Of The Tiger, entrou para a banda depois, mas acho sua voz mais poderosa que a do primeiro. Ele também não compunha no grupo, os sucessos eram obras do guitarrista e tecladista.

Bem, eu ainda não morri, a Verônica terá que me aturar hoje (e vocês também) e até Deus sabe quando. Prossigo trabalhando nestes meus quadrinhos insanos e nestas artes que, sem modéstia, tem inspirado umas poucas pessoas.

Pra matar um pouco da saudade dos anos 80 vamos dar uma curtida no Survivor com Burning Heart:



quinta-feira, 28 de agosto de 2014

NUMA E A NINFA ( CENA 2 )

Estou sentindo falta de uns textos bem humorados por aqui. Digo isto porque hoje pela manhã eu procurava uma arte específica e não encontrava. Lembrei-me que já a havia postado no blog, mas não me lembrava o ano, nem o mês e muito menos o dia. Comecei a sapear, já meio impaciente, pois ando atarefado com uma porrada de coisas e não tinha tempo a perder com escritos de um passado recente. O desenho eu não achei (sequer me recordo o título da postagem pois poderia localiza-la via Google) mas me deparei com uns dois ou três textos mais alegres: um que fala de loucos, outro de sapos esmagados e velhos em filas. Quando me apetece, tento colocar alguma picardia nas palavras, mas ultimamente não tenho conseguido ver aquele lado mais divertido da vida, mesmo aqueles mais azedos e injetar alguma ironia. Tá tudo muito corrido, a pressão mais esmagadora que nunca (não, pensando bem já esteve pior, mas isto não consola).

Outra coisa que percebi revendo redações antigas foi os comentários dos seguidores, um bocado de gente que sempre deixava um recado aqui sumiu. Bem, parece mesmo que os blogs ficaram um tanto fora de moda com a chegada do Tweeter, Facebook e sei lá mais o quê (agora ouço falar num tal de Instagram).

Estou fazendo três trabalhos ao mesmo tempo: a bio do Poe, o NCT e uns sketches para uma possível publicação que pode pagar bem caso seja aprovada. Além da encomenda de uma hq erótica de cinco páginas (que também estará sujeita a aprovação). Todos sem grana imediata e meus bolsos estão vazios - assim como meus sonhos. Mas eu não desisto, e não porque eu seja brasileiro (isto na verdade seria um motivo a mais pra mandar tudo à merda), mas porque não me resta alternativa.

Estou lendo a biografia do Stephen King, e é tão boa que não dá pra parar de ler, e eu tenho que me manter na prancheta pra adiantar as coisas que não posso fazer quando entram trabalhos remunerados. Me identifiquei muito com a infância de King, pelo menos algumas situações, achei legal ele admitir seus medos, eu também tenho uma porção deles (todos temos, né?), mas o final de sua história até aqui todos conhecemos, um dos maiores escritores do mundo e um dos mais bem sucedidos, principalmente pelo gênero que o consagrou, o horror, ao contrário de seus antecessores, Poe e Lovecraft.

Mas a vida é assim, uns vencem, outros não, alguns só são reconhecidos pós mortem, outros nem isso.

Já que o assunto é esse, vamos à arte de hoje: Numa e a Ninfa de outro maldito que teve uma vida de bosta: Lima Barreto. Mulato, pobre, alcoólatra e morreu num asilo de doidos. Pior que ele só mesmo o brilhante poeta Cruz e Souza.
Não queria terminar o post assim mas não deu pra evitar, só faltava o Edgar Allan Poe ter nascido no Brasil.